Ilustração IA · aspiração
Distrito Federal · 2026

673 km no papel.
Tente ir até a próxima quadra.

Brasília tem dados oficiais que somam 673,77 km de infraestrutura cicloviária. Mas para uma família com uma criança e uma bicicleta, atravessar de uma SQS para outra ainda significa dividir asfalto com carros — porque a rede existe, mas não conecta.

Veja a diferença
673,8km
Rede oficial SEDUH/SEMOB
2.293 trechos catalogados em 31 das 35 Regiões Administrativas.
70%
Ciclovia segregada
472 km de ciclovia separada do asfalto. Os outros 30% são faixas pintadas, calçadas compartilhadas ou trechos em parques.
4
Ciclorrotas oficiais
Apenas 4 trechos sinalizados como ciclorrota — somando 9,4 km. A "rota compartilhada" mal existe nos registros.
SQS↔SQS
O elo que falta
Atravessar uma tesourinha entre superquadras com a família ainda exige dividir o asfalto com carros em alta velocidade.
673 km cicloviários 4 corredores fatais 16 fatalidades
Distrito Federal · 2.293 trechos plotados por GPS Abrir mapa interativo ↗

No papel — e nas ruas

O mapa mostra onde. Os dados não mostram se conecta.

Cada um dos 2.293 trechos está plotado por GPS, com extensão, Região Administrativa, ano de construção e tipo de via — base oficial SEDUH-DF cruzada com OpenStreetMap. As 16 fatalidades documentadas pela Rodas da Paz e pela imprensa estão plotadas em vermelho, com seus quatro corredores recorrentes (Eixão Norte, L4 Norte, EPTG, L2 Norte) destacados.

Abra o mapa interativo para filtrar por RA, alternar mapa base (Positron · Voyager · Escuro · CyclOSM), clicar em qualquer trecho ou ghost bike para ver os detalhes da fonte.

Na prática

A rede existe. A conexão, não.

Brasília foi desenhada para o automóvel. As superquadras são unidades modulares ligadas por tesourinhas e eixos rodoviários — vias projetadas para carros em alta velocidade. Quando uma faixa cicloviária aparece, ela quase sempre termina antes do cruzamento mais perigoso.

As ciclovias terminam sem explicação, deixando o ciclista em vias rápidas e inseguras. — Diagnóstico recorrente da Rodas da Paz, organização que mantém o registro das ghost bikes do DF, em Metrópoles · "DF tem 636 km de ciclovias, mas falta de conexão entre elas incomoda brasilienses"

Pense no trajeto: da SQN 411 até a Escola Parque na 308. Da Asa Sul até a UnB no Campus Darcy Ribeiro. Do Sudoeste ao Iesb na 612 Sul. Do Cruzeiro até o centro universitário do Plano Piloto. Do Lago Sul à escola na L2. O que deveria ser um pedal de 15 minutos vira meia hora de empurrar a roda na grama, atravessar tesourinha com carro a 60 km/h, e dividir asfalto na EPTG, na L4 ou no Eixinho com ônibus e SUV.

2025
16
ciclistas mortos no DF
Detran-DF
2025
79
pedestres mortos atropelados
Detran-DF · balanço fev/2026
desde 2006
14
ghost bikes instaladas pela Rodas da Paz
Rodas da Paz · registro oficial
01 / Tesourinhas

Cloverleafs sem prioridade ciclística

Os entroncamentos em forma de tesoura entre superquadras foram projetados para fluxo contínuo de veículos. Nenhum tem hoje uma travessia cicloviária protegida ponta-a-ponta.

02 / Eixinho

Faixas que somem na intersecção

A ciclofaixa pintada da L2/W3 se interrompe a cada paragem de ônibus, a cada entrada de quadra. O ciclista é jogado no asfalto sem aviso, várias vezes por quilômetro.

03 / Conexões intra-SQS

Sem rota interna segura

Dentro de uma SQS, as ruas internas (em "L") não têm ciclofaixa nem moderação de tráfego. Quem mora aqui aprende cedo: a calçada é mais segura — se não houver carro estacionado em cima.

Evidência fotográfica

O que é compartilhar a estrada em Brasília

Fotos documentais publicadas por veículos de imprensa e arquivos de cicloativismo do DF. Cada uma mostra a mesma realidade: ciclistas, muitas vezes com cargas ou crianças, dividindo asfalto com carros porque a infraestrutura "no papel" não existe naquele ponto.

Imagens linkadas diretamente da publicação original — todos os direitos reservados aos respectivos fotógrafos e veículos. Clique em qualquer foto para abrir a reportagem completa.

Memória · Detran-DF · Rodas da Paz

Toda meta tem nome.
E todo nome tem uma rua que faltou ser segura.

Cada número aqui representa alguém que saiu de casa em uma bicicleta ou a pé e não voltou. Os dados são oficiais — Detran-DF e DATASUS — cruzados com o registro das ghost bikes mantido pela Rodas da Paz.

Ciclistas mortos no DF
vidas perdidas em colisões com veículos
Pedestres mortos no DF
atropelados ao atravessar a via
Memoriais instalados
ghost bikes pintadas de branco pela Rodas da Paz

Por ano — DF

ciclistas pedestres

Ghost bikes — DF

Memoriais instalados pela Rodas da Paz nos locais onde ciclistas foram mortos no trânsito do DF. Cada bicicleta branca é um nome.

Fonte primária: Detran-DF / DATASUS Memoriais: Rodas da Paz Atualizado em:

A visão

O que poderia ser, se conectássemos a rede.

Brasília já tem a malha. Falta tecer. Quatro cenários para imaginar uma cidade onde uma avó leva a neta de bicicleta da SQS 308 até a SQS 108 sem nunca dividir o asfalto com um carro.

Ilustração IA
CENÁRIO 01

Travessia familiar entre superquadras

Uma faixa protegida por bolardos brancos, paralela à via interna da SQS, larga o suficiente para dois adultos e uma criança em bicicleta de equilíbrio andarem lado a lado. O carro fica do outro lado da barreira física — não da pintura.

Custa pouco. Já existe pintura, asfalto, espaço. Falta apenas separação física e continuidade.

Bolardos físicos2,5 m de larguraConexão SQS↔SQS
Ilustração IA
CENÁRIO 02

Ciclovia bidirecional do Eixo Monumental

O eixo cívico mais largo do Brasil, com a Esplanada dos Ministérios, o Congresso e a Catedral, hoje tem trechos descontinuados de ciclovia. Conectar o Memorial JK até a Praça dos Três Poderes em uma única faixa contínua, separada por canteiro plantado, é viável e já estaria pronto.

Bike-commuter de manhã. Família passeando aos domingos. Turista alugando uma elétrica. Tudo na mesma infraestrutura.

Bidirecional protegidaCanteiro plantado5,5 km contínuos
Ilustração IA
CENÁRIO 03

A tesourinha redesenhada

A geometria curva original do Lúcio Costa não precisa mudar. Basta acrescentar uma faixa cicloviária que acompanhe a curva, com buffer plantado, bolardos e travessia priorizada nos pontos de conflito. Uma família atravessa a tesoura sem desmontar da bicicleta.

Existem 36+ tesourinhas no Plano Piloto. Cada uma é uma conexão potencialmente segura ou um buraco na rede.

Geometria preservadaBuffer plantadoTravessia priorizada
Ilustração IA
CENÁRIO 04

Caminho interno entre quadras

O espaço entre superquadras já é gramado, com ipês amarelos floridos. Adicionar uma faixa cicloviária pintada de verde no traçado interno, longe do asfalto, transforma cada conjunto residencial em uma rede de bairro acessível.

É o único cenário em que uma criança de 6 anos pode ir sozinha à casa da avó três quadras adiante. Hoje, isso é impensável.

Tráfego zeroAcessibilidade realEscala de bairro

Pauta · 2026

Os quatro primeiros consertos.

Visão sem orçamento é desejo. Aqui está o piso: quatro intervenções de baixo custo, alta visibilidade e prazo viável que conectam pedaços de rede que já existem. Cada uma é uma decisão administrativa — não obra de arte.

LocalIntervençãoExtensãoCusto estimadoPrazo viável
Tesourinha SQN 105/106cruzamento Eixão Norte ↔ Eixinho
Bolardos físicos contínuos + travessia priorizada com sinaleira temporizada para ciclistas. Pintura de alto contraste já existe — falta separação física.
~180 m
R$ ~280 milreferência: ciclovia BIRD-DF/2023
90 dias
L4 Norte — corredor fataltrecho SHIS QI 5 ↔ Ponte Costa e Silva
Calçada cicloviária bidirecional segregada por canteiro plantado, conectando o trecho já segregado do Lago Norte ao Plano Piloto. Hoje, é asfalto compartilhado com SUVs a 70 km/h — local de duas ghost bikes.
~3,2 km
R$ ~2,4 mireferência: ciclovia da L2 Sul
9–12 meses
Eixão Norte — finalizaçãotrecho Memorial JK ↔ EPIA
Reconexão dos trechos descontinuados de ciclovia ao longo do canteiro central. Pintura, sinalização e proteção física nos pontos de cruzamento das tesourinhas. Eixão é o corredor com o histórico mais grave de fatalidades do DF — o de maior prioridade política.
~5,1 km
R$ ~3,8 miincluindo travessias semaforizadas
12 meses
EPTG — bolardos contínuostrecho Águas Claras ↔ Setor Militar
A ciclofaixa pintada existente é constantemente invadida por veículos. Bolardos rígidos (não plásticos flexíveis) e câmeras de fiscalização eletrônica nos pontos críticos resolvem o problema sem obra civil pesada.
~6,8 km
R$ ~1,9 mibolardos + 4 câmeras OCR
120 dias
Total das quatro intervenções
R$ ~8,4 mi
≈ 0,6% do orçamento anual da SEMOB-DF (R$ 1,4 bi em 2025), aplicado a obras de até 12 meses.

Estimativas referenciadas a custos públicos do GDF (BIRD-DF, ciclovia L2 Sul, contratos SEMOB 2023–2024). Localizações das intervenções foram cruzadas com o mapa de fatalidades documentadas pela Rodas da Paz e pela imprensa do DF. Esta pauta é uma proposta cidadã para discussão pública — não um contrato técnico.

Coalizão

E quem não pedala?

Infraestrutura cicloviária é frequentemente vendida como "para ciclistas". É também a forma mais barata de reduzir congestionamento, baixar mortes de pedestres e devolver autonomia a crianças e idosos. As cidades que entenderam isso saíram na frente.

Para quem dirige

Menos congestionamento na L4 e na EPTG.

−40%
redução de congestionamento documentada em ruas com ciclofaixa segregada — Bogotá, Rede Cicloviária 2014.

Cada bicicleta que sai do trânsito é um carro a menos no horário de pico. Brasília tem o maior número de carros per capita do país; faz sentido oferecer alternativa.

Fonte: ITDP — Bogotá Bicycle Master Plan

Para quem é pai ou mãe

Uma criança de 8 anos pode ir à escola.

75%
das crianças holandesas vão à escola sozinhas de bicicleta a partir dos 8 anos.

O argumento mais forte para infraestrutura segura é o trajeto curto da família: SQS para SQS, casa para escola, casa para a casa da avó. Só funciona se a infraestrutura for separada do tráfego.

Fonte: CROW / Bicycle Dutch

Para o comércio local

Lojas em ruas com ciclovia faturam mais.

+24%
aumento de vendas em corredores comerciais após instalação de ciclofaixa protegida — NYC DOT, 2014.

Comerciantes da W3, da Asa Sul, do Sudoeste podem ganhar com tráfego ciclístico — desde que ele exista de verdade. Cidades grandes já mediram o efeito.

Fonte: NYC DOT — Measuring the Street

Para o patrimônio Unesco

Mobilidade ativa fortalece a candidatura cultural.

2030
Brasília candidata a sediar a Velo-City, conferência mundial de mobilidade ativa.

Brasília é Patrimônio da Humanidade. Uma cidade Patrimônio que abandona a mobilidade ativa em favor do carro perde parte do que a Unesco celebrou. Reconectar a rede é coerência com a inscrição de 1987.

Fonte: European Cyclists' Federation — Velo-City

Pressione

Quem decide isso.

A pauta dos quatro consertos passa por três mesas: o Governador (orçamento), a Secretaria de Mobilidade (execução) e os deputados distritais (fiscalização e emendas). Estas são as portas. Bata em todas.

Executivo · GDF

Ibaneis Rocha

Governador do Distrito Federal · aprova o orçamento anual da SEMOB-DF

Decide se a expansão de R$ 8 mi para conectar a malha entra ou não no PPA. Sem aval, a pauta morre na origem.

Mandar e-mail ao Governador →
Mobilidade · DF

Secretaria de Mobilidade

SEMOB-DF · executa obra ciclo­viária e fiscaliza ciclo­faixas

É na SEMOB que cada um dos quatro consertos vira projeto, contrato e cronograma. Pressão pública aqui é o que tira pauta da gaveta.

Mandar e-mail à SEMOB →
Legislativo · CLDF

Seu deputado distrital

Câmara Legislativa do DF · 24 deputados · emendas e fiscalização

Cada deputado distrital pode incluir emendas no orçamento da SEMOB para custear bolardos, ciclofaixas e travessias. Bata na mesa do seu — preferencialmente no da sua RA.

Ver lista de deputados ↗

Os e-mails acima abrem em seu cliente de e-mail com um texto pré-escrito. Edite, assine com seu nome e sua Região Administrativa, e envie. Se preferir, copie o texto e mande de outro endereço — o importante é o volume de mensagens. Endereços oficiais conferidos em semob.df.gov.br e cl.df.gov.br.

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Toda assinatura pesa. Toda mensagem pesa. Todo compartilhamento pesa.

Quem fez isso

Cidadania, dados abertos e código aberto.

fixbrasilia.com é uma iniciativa cidadã independente. O conteúdo cruza dados oficiais (Detran-DF, IDE-DF/SEDUH, IBGE, DATASUS), o registro de ghost bikes mantido pela Rodas da Paz, fotografias publicadas por veículos de imprensa e arquivos de cicloativismo do DF.

Não recebemos verba pública nem patrocínio. O site é construído como um manifesto numerado: cada afirmação aqui pode ser auditada na seção de fontes.

Para imprensa, parceria, correção factual ou para registrar uma vítima ausente do memorial: imprensa → · hello@michaelarnaldo.com

Brasília tem o tabuleiro. Falta conectar as peças.

Os 673 km existem. Estão no GIS oficial, no orçamento, no asfalto. O que falta — bolardos, conectores, travessias seguras nas tesourinhas — custa uma fração do que já se gastou. A próxima geração de ciclistas em Brasília está esperando.

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